Caríssimos irmãos presbíteros, diáconos, religiosos (as) e querido povo de Deus,

Após ser solicitado por vários membros do Clero para dar algumas orientações concretas, depois do novo decreto publicado pelo Governo do Estado de Goiás, venho comunicar algumas orientações que podem ser adotadas.

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer aos nossos presbíteros pelo trabalho que estão desenvolvendo neste período de pandemia e todas as iniciativas promovidas, seja via internet ou outros meios, para alcançar nosso povo e sustentar a fé neste período de privações religiosas. Deus lhes pague!

O novo decreto do Governo deve ser seguido à risca por todos nós. Portanto, eu não tenho orientações a mais ou a menos do que foi decretado. Entretanto, no decreto possui uma cidade de nossa Diocese, que é São Luís de Montes Belos, entre aquelas de maior risco e, sendo assim, as restrições são maiores do que nos outros municípios da Diocese. Há, também, decretos municipais que foram emitidos e devem ser seguidos à risca por todos nós, sem menosprezar nenhuma orientação que nos foi dada.

Sendo que esses decretos nos municípios da Diocese são muito diferenciados, oriento que seja seguido, em cada paróquia, aquilo que foi orientado pelo município e, caso o município não tenha se manifestado, sejam seguidas as orientações do Governo estadual. Repito, sigamos à risca o que nos é pedido no que se refere à higienização, à distância, às máscaras, à medição da temperatura e assim por diante.

Peço que tenhamos muita cautela, abrindo portas e janelas, porque o momento é grave e a Igreja deve dar exemplo na defesa da vida. Portanto, não caiamos naquela atitude de quem vai “relaxando” as coisas, achando que tudo está normal, porque não está. Precisamos pensar neste momento como Brasil e não somente na comunidade a qual pertencemos. Sabemos que o vírus é violento, está evidenciando ainda mais categorias de risco, que não são somente os idosos, mas também os presos, moradores de ruas, moradores de favelas e assim por diante. Tentemos manter aquelas atitudes corretas e exemplares que são pedidas a um cristão adulto e maduro. A caridade exige rigor, apesar de alguns quererem amenizar a quarentena.

Gostaria também de dizer aos presbíteros, como conselho, de ter muita liberdade em fazer as escolhas que, pastoralmente, acham mais convenientes. Avaliem bem e tenham a liberdade em continuar com a quarentena, caso seja o mais oportuno. Não darei orientações gerais, uma vez que a Diocese é formada por comunidades muito diferentes. Escolham, pois, com muita responsabilidade o que for mais correto de fazer, de acordo com as autoridades sanitárias.

Outro conselho que daria, refere-se aos municípios que colocaram à disposição os espaços abertos, como centro de convenções ou feiras cobertas, para realização de celebrações religiosas. Eu prefiro que continuemos em nossos templos. As nossas Igrejas já têm tudo pronto para celebrações dignas. Nelas, podemos acompanhar de uma forma muito mais respeitosa as nossas celebrações, dentro dos limites que nos são pedidos.

Queridos padres, vamos lutar para salvar a vida. Prevenir, é ato de culto que agrada a Deus mais do que arriscar, em nome de um zelo pastoral, que nos faz fechar os olhos diante de tantas coisas para ver quase uma normalidade, mas não é o momento para isso. Sejamos prudentes, adultos, maduros e, como Igreja, vamos dar o exemplo também a algumas das nossas autoridades que, às vezes, brincam com a vida em nome de outros valores.

São Luís de Montes Belos, 21 de abril de 2020

+ Carmelo Scampa
Administrador Apostólico

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